No texto "A grande Ilusão", publicado na edição de janeiro da revista Piauí (http://www.revistapiaui.com.br/), João Moreira Salles conta como a Islândia, diante da crise financeira mundial, tornou-se o país com a maior baixa econômica do mundo. Assim como o crescimento do país foi um mistério para muitos, já que o PIB cresceu 25% entre os anos de 2003 e 2007, a rapidez de sua quebra também foi assustadora. Segundo as informações que o jornalista conseguiu durante sua estadia de uma semana no país, a crise teria começado com a queda do Landsbank, que até então era o mais importante banco nacional. Estrangeiros que tentavam retirar o seu dinheiro investido ali, passaram a não conseguir.Assustadas, as pessoas com dinheiro nos outros bancos faziam a mesma tentativa também sem sucesso. A crise já havia tomado conta da pequena ilha do Atlântico Norte, que contraditoriamente há um ano havia sido considerada pela ONU (Organização das Nações Unidas), o melhor lugar do mundo para se viver. Até o final da década de 80, o país era basicamente sustentado pela pesca e era considerado praticamente sem classes sociais. Agora se vê diante de um colapso, depois de um crescimento brusco.
João Moreira Salles, conta que todos os bancos nacionais foram obrigados a pedir concordata e descobriu-se que o Banco Central não possuía dinheiro o suficiente para socorrê-los. Como consequência desse fato, as empresas também começaram a quebrar. A venda de automóveis caiu 90%. Ninguém mais comprava nada na Islândia.
Nos países estrangeiros, faz-se piadas e vende-se camisetas sobre a crise. Os islandeses são humilhados,chegando ao ponto de serem expulsos de estabelecimentos. Enquanto isso, na Islândia, os investidores de outros países são hostilizados e culpados pela crise.
Os islandeses ficaram com grandes dívidas, mas nada que se compare às dívidas dos bancos. Nas ruas as pessoas protestam, não se sabe ao certo pelo quê, mas o que se sabe é que o país vive hoje seu maior dilema, o de tentar se restabelecer como um paraíso fiscal de economia forte, ou voltar a ser um país de fraca economia e vida pacata, baseada em e dedicada à pesca.
Utilizando-se de sua prática como cineasta, o jornalista João Moreira Salles, conseguiu relatar os efeitos da crise na Islândia, de um modo figurativo, em que percebe-se o texto como uma história narrada. As pessoas participantes do drama da crise, foram transformadas em personagens, de maneira que ficou-se mais fácil nos colocar no lugar delas e entender seu drama.
"A Grande Ilusão" é um texto que vale a leitura, para compreensão mais clara do que significa um país com grandes consequências da crise e para nós alunos de jornalismo, é uma aula de construção textual e de como contextualizar fatos de modo que os leitores consigam visualizar o que se é dito.
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