domingo, 7 de junho de 2009

Leia-se: Investimento na educação

O caráter assistencialista presente nas escolas públicas municipal vem mudando o papel da escola frente ao ensino e aos alunos da rede. Em São Paulo, a moda assistencialista iniciada com a distribuição de leite atrelado à freqüência escolar, no governo do ex-prefeito Paulo Maluf, em mais de dez anos, tem sido crescente. Começaram a ser distribuídos materiais básicos escolares, além de uniforme completo que engloba agasalho, camiseta, bermuda e até tênis e meia.

Diante desse panorama, pessoas envolvidas com comunidades escolares da rede municipal de ensino da cidade de São Paulo, opinaram a respeito do tema. Entrevistamos duas professoras e uma coordenadora pedagógica da rede, assim como duas mães de alunos.
As opiniões são diversas, mas o ponto comum entre todas elas gira em torno do ensino que está sendo ministrado para as crianças. Mães de alunos, por exemplo, discordam entre si. Uma delas, dona Marli, faxineira, acha que o melhor ponto da escola é o fato de o governo distribuir todos esses benefícios, e quando questionada sobre a qualidade, diz que não trocaria o leite, o material e o uniforme, por um bom ensino.
Dona Célia, dona de casa, a outra mãe entrevistada, coloca que o ensino da escola é regular, porque seu filho está na quarta série e muita coisa ele ainda não sabe, avaliando que já deveria saber. Disse também que o trocaria de escola, caso outra oferecesse ensino melhor, abrindo mão dos benefícios.
Ainda no que diz respeito ao ensino, duas professoras revelam de que maneira todo esse assistencialismo influencia em suas rotinas de trabalho. Para a professora de Ensino Fundamental I Mônica Aguiar, da Escola Municipal do CEU Parque Bristol, sua aula é muitas vezes interrompida para a entrega de materiais, leite e uniforme. Contudo, para a entrega dos materiais, uniformes e leite serem realizadas em um horário fora da aula, é necessária toda uma mobilização da escola. Seja para que os alunos sejam dispensados mais cedo, o que também diminui o período de permanência na escola, ou então um horário nos finais de semana, que também devem ser utilizados para desenvolver atividades pedagógicas.
Já para a professora de Ciências do Ensino Fundamental II, Ana Cristina Simões, também da Escola Municipal do CEU Parque Bristol, os alunos muitas vezes vão para a escola em busca do que lhes é oferecido e não pela busca do conhecimento.
Contudo, a visão da coordenadora pedagógica, Maria de Lourdes Cintra, da Escola Municipal do CEU Parque Bristol, permeia as opiniões de todos, arrematando que o governo deve para a sociedade um posicionamento no sentido de criar condições básicas para que o aluno tenha recursos materiais, como uniforme e material escolar para poder assistir às aulas, bem como leite para se alimentar em suas casas. No entanto, a visão da comunidade sobre essas doações, é que deve mudar.
Diante da atual circunstancia em que a sociedade se encontra, seria melhor que se investisse em recursos humanos, que possibilitassem formação contínua de professores, criação de escolas para que se diminuísse a quantidade de alunos dentro de cada sala de aula, infra-estrutura para que se possa planejar e dar aulas mais interessantes aos alunos. Enfim, isto tudo mencionado acima, leva um espaço de tempo maior do que quatro anos para se ter um retorno. Não é mesmo?

Confira a reportagem em áudio feita por João Luiz Carreira para a Rádiojornal Em foco:

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